Amor, ódio e nudes: Letras e hashtags sexuais de DJ Borgore dividem opiniões: machista ou libertário?

15 de março de 2017 - 304 visualizações

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Conheça DJ que vem ao Lolla SP. Ex-metaleiro judeu incentiva fãs a dançarem seminuas na web e no palco. Para uns, é o ‘DJ mais odiado do mundo’; para outros, bem humorado e até comportado.

O DJ mais odiado do mundo. O homem que matou o dubstep. Machista, misógino, aproveitador. Todas essas são descrições comuns para o DJ Borgore, uma das atrações do Lollapalooza 2017. O músico israelense de 29 anos é conhecido pelas produções eletrônicas berrantes, letras sexuais e por incentivar as fãs a tirarem a roupa na web e nos shows.

Alguns defensores, inclusive as fãs que mandam “nudes”, veem um artista bem-humorado, que incentiva mulheres a serem livres sem julgamentos, assim como tantas cantoras pop fazem atualmente. Mas os (muitos) detratores acham que ele mancha a reputação da música eletrônica com letras machistas deste nível: “Na cama, seja como uma vagabunda, mas antes lave a louça” (“Act like a ho”).

Asaf Borger (seu nome real) é um músico prodígio, com formação erudita. Ele tocava em uma banda de heavy metal em Israel antes de se encantar pelo dubstep há oito anos.
Ele ajudou a levar distorção e acelerar o estilo de batidas graves. Seu “brostep” – ou “gorestep”, como chama – levou à decadência do subgênero, críticos dizem.

Borgore é apontado como uma das pessoas que incentivou a transformação de “Hannah Montana em Miley Cyrus”. Antes da mudança radical no ousado disco “Bangerz” (2013), Miley dançou com strippers ao lançar “Decisions” em dueto com Borgore em 2012.

“Nympho”, uma das músicas mais conhecidas de Borgore, tem este verso: “Essa vagabunda é tão usada que eu não a venderia numa loja de segunda mão / Sua b** é tão larga”.
Além das letras, ele espalha hashtags nas redes sociais pedindo para as fãs mandarem fotos seminuas e rebolando. Autografar decotes também é sua especialidade:

Então, não dá para negar que Borgore é machista, certo? Não é bem assim, ele diz. Quando começou a causar indignação na imprensa dos EUA, Borgore resolveu se defender em entrevista ao “Buzzfeed”:

“Não, é exatamente o contrário – eu amo as mulheres (…) É uma piada. Quando as pessoas fazem coisas para rebaixar as mulheres, é tão estúpido que eu rio disso”.

Será que dá pra engolir tudo como uma grande piada? Talvez só isso explique o clipe de “Ratchet”, que usa vídeos de fãs rebolando em uma trama que envolve sexo, vômito, invasão alienígena e explosão de órgãos genitais extraterrestres. Mas é difícil justificar, mesmo como piada, uma letra como a de “Glory hole”: “Meu Deus, é uma baleia (…) / Mamíferos do mar não estão na minha lista de fod** / Cara, é um ‘glory hole’ / Dane-se se ela é obesa”.

Mas muitos colegas DJs não acham graça nenhuma. Bassnectar, que tocou no primeiro Lolla SP, perguntou: “O que está acontecendo com esses DJs babacas achando que é ok degradar as mulheres?”. Já o duo eletrônico de mulheres Nervo, atração deste ano do Lolla, foi um dos raros que defendeu Borgore: “Ele não odeia as mulheres. Ele foi sempre gentil conosco.”

O artigo gigante do Buzzfeed que apresenta Borgore como o “DJ mais odiado da EDM” tem argumentos suficientes para justificar o rótulo, inclusive uma reação confusa e pouco convincente dele.

Mas um ano depois saiu outro texto longo, na “Vice”, chamado “Como é ser feminista e trabalhar para Borgore”. Uma funcionária do selo do DJ admite ter ficado em dúvida sobre colaborar com um machista. Depois, conta como a postura de Borgore – ética, respeitosa, profissional e fiel com a namorada – a fez mudar de ideia.

“Se é ok que a Miley Cyrus nos peça para mostrar os seios [em referência aos pedidos da cantora no Twitter], por que não seria ok o Borgore nos pedir para mostrar a bunda?”, ela pergunta. A própria autora finalizou artigo com uma foto sua e o seguinte questionamento: “Se toda mulher no planeta mostrar a bunda no Twitter, todas seriam vagabundas, ou nenhuma de nós seria?”.

Outro artigo, da “DJ Mag”, visita os bastidores do seu show e revela uma figura surpreendente: careta, comportado, que leva a mãe para ver seu show.
“Ele é um gênio! Um garoto incrível. É brilhante e muito esperto”, diz a mãe à revista.
Tudo bem, elogio de mãe não conta – ainda mais lembrando do estereótipo da mãe judia superprotetora.

Mas a mesma reportagem conta um episódio curioso, que mostra como Borgore e seus fãs convivem na boa em uma ambiente que muita gente acharia ultrajante. A “DJ Mag” conta que, durante o show, um casal sobe no palco em um daqueles famosos pedidos de casamento em público. Após o “sim” ao som de Borgore, o casal resolve mostrar uma tatuagem que a noiva fez em homenagem a Borgore. Tauagem na bunda, claro.


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