Melanie Martinez faz pop sombrio inspirado em depressão e Donald Trump: ‘Ele é assustador’

16 de março de 2017 - 103 visualizações

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Cantora revelação que vem ao Lollapalooza diz que gosta de cantar sobre tristeza e que chorou com eleição do presidente dos EUA: ‘Próximo disco terá música sobre Trump; ele me deixa apavorada’.

Chora mais, Melanie Martinez. Quanto mais a cantora de 21 anos canta sobre depressão, ansiedade e tristeza, mais fãs ela arrebata, inclusive no Brasil. Novaiorquina de origem hispânica, foi revelada com covers de rock e pop no “The Voice”, mas logo partiu para o lado autoral – e bota autoral nisso. O peculiar álbum”Cry baby” (2015), dramático e teatral, a levou para listas de revelações do pop e para o Lollapalooza 2017, em SP.

Melanie conta ao G1 que já gravou as músicas do seu segundo disco, mas ele deve sair só no final deste ano. O cenário mundial não poderia ser melhor (ou pior) para as músicas sombrias de Melanie Martinez, segundo ela. A cantora conta que chora até hoje por causa da eleição de Donald Trump – que virou presidente mesmo com 65% de votos contrários de hispânicos, como ela. O disco vai refletir estes tempos atuais e terá um personagem inspirado em Trump.

G1 – Que retorno você teve das pessoas ao tratar de depressão com tanta intensidade?

Melanie Martinez – A maioria delas diz que a minha música as ajudou a se curar, a enfrentar qualquer que seja o problema. Esse é o meu maior objetivo. Sempre quis fazer música para ajudar as pessoas a se curarem, a passar por essas situações difíceis.

G1 – ‘Pity party’ foi um sucesso mais ou menos ao mesmo tempo que ‘Here’, da Alessia Cara. É curioso que as duas falam mais ou menos da mesma coisa: sobre festas que dão errado, pessoas que estão tristes no meio de uma festa.

Melanie Martinez – Eu acho que damos uma perspectiva diferente. Algumas pessoas gostam de festejar, como eu, e outras não. E tem que haver músicas para os dois tipos de pessoas. Eu estou feliz em criar músicas sobre gente que se sente mal como eu.

G1 – Qual foi a primeira música que te fez chorar na vida?

Melanie Martinez – Nossa, essa pergunta é muito boa, mas muito difícil. Não consigo me lembrar, mesmo. Desde que eu era bebê, eu chorava com qualquer música. Eu acho que passei a minha vida toda chorando, então seriam todas as músicas que ouvi.

G1 – Seu disco tem muitos sons que parecem de brinquedos, que você disse que inspiram você. São brinquedos da sua infância?

Melanie Martinez – Não necessariamente. Na verdade, eu nunca tinha trabalhado com produtores, era sempre eu mesma escrevendo músicas no violão sozinha. Então, quando passei a ter produtores, poder criar sons diferentes, foi muito inspirador. E aí eu fui atrás destes sons de brinquedos, sinos, relógios. Além do som, têm as possibilidades visuais também. Para o próximo disco, vou montar uma espécie de filme mesmo.

G1 – Que tipo de filme?

Melanie Martinez – Não posso contar tudo, mas é uma mistura de terror e drama. E eu fui procurar formas de contar essa história com sons e visualmente, pois isso é muito importante.

G1 – E no seu segundo disco você vai continuar a usar a personagem de ‘Cry baby’ ou será um universo diferente?

Melanie Martinez – O disco já está pronto. Agora eu estou trabalhando com o roteiro da parte visual, que vai me dar muito trabalho – o ano inteiro, provavelmente. E ainda tenho que terminar as faixas da edição deluxe. Mas o disco mesmo, a parte das músicas, está pronto. Tem 13 faixas e, como disse, conta uma história do início ao fim.

Ainda é do ponto de vista da Crybaby (personagem do primeiro álbum). Uma jornada diferente na vida dela. Eu sou muito próxima à Crybaby, porque ela é uma parte de mim. Então, acho que pelo menos nos próximos discos, eu vou ter essa perspectiva dela. Quero ter uma história contínua. Mas agora no segundo será num lugar específico de uma cidade. E também vai apresentar novos personagens, e falar sobre muitos assuntos que não abordei antes.

O disco é sobre se curar através da música, ajudar as pessoas. As músicas são como uma terapia para mim. São inspiradas por encontros com fãs e pessoas conhecidas. É muito pessoal, mas ao mesmo tempo deve ter esse aspecto de cura para outras pessoas.
G1 – E quando fica pronto?

Melanie Martinez – É difícil, porque sempre que eu marco, acaba sendo adiado. Mas eu não vou começar a contar essa história antes de dezembro, eu acho.

G1 – Qual será o título?

Melanie Martinez – Não posso contar, mas eu já digo que é sobre crescimento. É a Crybaby crescendo.

G1 – Sua família tem origem latina, como a minha. Qual foi sua primeira reação quando você viu que Donald Trump tinha sido eleito?

Melanie Martinez – Eu chorei, chorei mesmo. E ainda choro! É difícil falar sobre as coisas que ele defende. Parece senso comum não votar em alguém como ele. É simples assim. Ele me deixa apavorada. É assustador. Vamos ter que trabalhar muito para ajudar a curar um ao outro em tempos assim.

G1 – Mas a reação a ele não te anima? Você foi à Marcha das Mulheres?

Melanie Martinez – Sim, eu acho que é importante se impor pelo que você acredita. Acho que todos deveriam defender as mulheres, negros, qualquer pessoa que precisa, cuidar um do outro. E coisas como a Marcha das Mulheres são tão importantes. Eu fui em Los Angeles, e foi muito inspirador. Não pude ficar muito, pois eu tinha que ir para o estúdio gravar, mas fiquei muito inspirada mesmo.

G1 – Você tem uma base de fãs muito jovens. Você acha que pode colocar estes assuntos na sua música? Falo de coisas como o novo single da Katy Perry, ‘Chained to the rhythm’. Acha que o pop pode se tornar mais político agora?

Melanie Martinez – Acho que é importante falar de coisas que pesam no seu coração, e eu sempre fiz disso o foco da minha música. Falo de coisas que são importantes para mim, e é claro que em uma época como essa que passamos, eu tenho um monte de músicas com estes temas atuais. Tem uma música que tem um personagem com um nome que é trocadilho para Donald Trump. Tenho certeza que todo mundo vai perceber quando ouvir. Então eu estou falando mesmo sobre isso, mas de uma forma meio escondida, com duplos sentidos, como os personagens de “Cry baby”. O disco vai refletir essa era, com certeza.


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