Paramore une letras pessimistas e pop colorido em melhor disco da carreira; G1 ouviu

18 de maio de 2017 - 261 visualizações

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Tem gente que deixa de ouvir uma banda porque o cabelo da vocalista é colorido ou porque o público que costumava escutá-la é mais novinho. Mas os tempos são outros.

Se o Coldplay foi do britpop melancólico ao eletropop meloso e o Linkin Park evoluiu do new metal ao remix Joven Pan, um bom disco pode vir de onde você menos poderia esperar. Pode vir do Paramore.

Tings Tings com talento, Gossip emo, Franz Ferdinand mal humorado, MGMT sem estar chapado… “Higher Laughter”, quinto disco do Paramore, parece ser de alguma daquelas bandas dos anos 2000 que tentavam se parecer com bandas dos anos 80. E isso, neste caso, é bom.

É legal ver o talento da vocalista e letrista Hayley Williams rendendo algo que vá além da gritaria punk emotiva dos três primeiros discos ou do rockzinho meio vazio, meio No Doubt de “Paramore”, de 2013.

Pessimismo pop

“Rose Colored Boy” começa com o superdesgastado corinho de cheerleader, mas se envereda por um pop safado (atenção, é um elogio!) com letra sobre um garoto que vê o lado bom da vida ao lado de uma garota pessimista.

São várias letras como essa, sobre os “tempos difíceis” em que vivemos. E elas são escritas do ponto de vista de uma mulher que teve crises de depressão nos últimos anos…

“Tudo que queria, era um buraco no chão / Você pode me falar quando tudo estiver bem / Para eu poder sair dele”, canta Hayley na deliciosa “Hard Times”.

Mas o Paramore, na ativa desde 2004 com várias formações, não é só Hayley. O trio hoje tem ainda o guitarrista e tecladista Taylor York (produtor do disco) e o baterista Zac Farro (um dos fundadores).

A volta de Zac após mais de seis anos fez a alegria dos fãs, mas não faz tanto sentido assim. Dos instrumentos clássicos do rock, a bateria é a menos presente em “Higher Laughter”.

Sintetizadores dominam quase todo o disco. Às vezes, o uso é de forma mais frenética, como em “Told you so” e em “Grudges”, a cara do Blondie. Em outras, há mais cadência.

“A realidade vai quebrar seu coração / Sobreviver não vai ser a parte mais difícil / É manter seus sonhos vivos / Quando todo o resto de você morreu”, canta Hayley em “26″, quando a banda troca os sintetizadores por violão.

Dançando e chorando

Os melhores exemplos são “Fake Happy” (que vai do mais manso ao mais revolts) e “Forgiveness”. Essa é como se o Vampire Weekend ou o Paul Simon gravassem uma música para uma comédia adolescente dessas da “Sessão da Tarde”.

O clima “dance e chore” prevalece em 10 das 12 canções. Só “26″ (levada mais no violão) e “Tell me now” (ao piano) juntam a melancolia das letras ao do arranjo. Aí, meu filho, ouvi-las sozinho em uma noite chuvosa é por sua conta e risco.


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