Banda virtual de ‘League of Legends’, Pentakill surgiu como brincadeira e hoje tenta ser um ‘Gorillaz dos games’

10 de agosto de 2017 - 52 visualizações

pentakillleaguelegends

Tem introdução épica de violão gravada no que parecem ser os congelados campos de batalha da Escandinávia.

Tem pedal duplo com melodia agressivinha e uma faixa instrumental de 7 minutos (característica principal: épica).

E tem também menções a divindades de tempos perdidos e àquele que é sedento por sangue – difícil saber quem são, mas por via das dúvidas é melhor tratá-los com respeito.

Eu falei da sinfonia? Ah… a sinfonia. Épica.

es são os ingredientes de “Grasp of the undying” (“O aperto dos que não morrem”, em uma tradução de bate-pronto), álbum recém-lançado que poderia ter sido gravado por artistas de diversos subgêneros do metal, como In Flames, Helloween e Nightwish.

Mas, na verdade, é o primeiro disco pra valer – antes só havia um EP – da Pentakill, banda virtual formada por personagens do game online “League of Legends”. A ideia surgiu como uma brincadeira dos funcionários da Riot Games, a criadora do jogo. “Grasp of the undying” pode ser ouvido de graça.

“Nossa equipe de criação de ‘skins’ (as roupas dos personagens no game) pensou que seria divertido fazer versões metaleiras de dois dos nossos campeões”, diz Viranda Tantula, um dos idealizadores do projeto, em entrevista ao G1.

Os fãs gostaram do novo look e mais três personagens ganharam suas “camisetas pretas”. Veio, então, a banda. Primeiro só dentro do jogo, como parte de uma história paralela de “League of Legends”. Depois com gravações por músicos da desenvolvedora Riot e convidados especiais, como Tommy Lee, baterista do Mötley Crüe, e ZP Theart, ex-vocalista do Dragonforce.

Com vocês, o ‘Gorillaz dos games’…

Olaf, Sona, Mordekaiser, Karthus, Yorick e a nova vocalista Kayle, incluída em “Grasp of undying”, formam o time de cavaleiros do fim do mundo que é a Pentakill: um medley metaleiro com o que tem dado mais certo no gênero.

“Infinity Edge” e “The bloodthirster” são boas reencenações da sonoridade das bandas de death metal da Suécia, que emergiram para o mundo nos anos 1990. Já “Rapid firecannon” lembra a polirritmia dos grupos do canadense Devin Townsend, mais conhecido pela banda Strapping Young Lad. Ou seja: não faltam boas referências musicais aos caras da Riot.

Em termos de personagens, todos os membros da Pentakill podem ser usados nas partidas de “League of Legends”, onde ganharam roupas e histórias de origem novas que argumentam a favor de sua condição de “Gorillaz dos games” – mas sem o visual cartunesco de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, figuras usadas pelo britânico Damon Albarn e seus colaboradores para montar a “banda de desenho animado” que explodiu no início dos anos 2000.

O pastor Yorick troca o capuz e a bengala por um contrabaixo e uma cartola tipo Slash, guitarrista do Guns n’ Roses. Já Olaf deixa o traje de viking no armário e usa como baterista da Pentakill um chapéu que faz as vezes do finado Lemmy Kilmister, vocalista do Motörhead.

A Riot claramente tem uma dificuldade em alinhar suas inspirações com as respectivas funções na banda. Mas ela parece não errar no que importa mais: dar asas à imaginação do seu público.

“Depois de disponibilizar conteúdo pros jogadores e fãs do mundo de ‘League of Legends’, percebemos que eles se apossam daquilo”, diz Tantula.

“A Pentakill em particular começou como uma linha de ‘skins’, mas a comunidade levou isso a um outro nível imaginando eles como uma ‘banda de verdade’. Isso foi o que mais nos inspirou a crescer o projeto e, no fim das contas, deixar nosso time de músicos fazendo algumas horas extras para gravar o disco”.

E a banda tem feito esses personagens serem mais escolhidos nas partidas? Ou não tem jaqueta de couro e ombreira com espinho que faça alguém entrar pra seleção de titulares de “League of Legends”?

“Não tenho certeza se podemos admitir algo sobre isso. E não foi nosso objetivo. Queríamos fazer o álbum de metal mais autêntico possível, para jogadores e fãs de música como um todo curtissem”, afirma Tantula. “O que sabemos é que os ‘gamers’ e os metaleiros são muito apaixonados. Dito isso, não me surpreenderia se os metaleiros da nossa comunidade representassem os campeões da Pentakill sempre que pudessem”.


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